Por Allan Roque

O rápido avanço da tecnologia vem transformando o mercado e a maneira como realizamos nossas atividades, especialmente as compras e transações do dia a dia. Por conta dessa evolução, o consumidor está cada vez mais exigente e busca continuamente facilidade e comodidade. Essa procura por soluções customizadas e centralizadas em um único lugar faz com que as instituições financeiras se relacionem com outras empresas financeiras, ou mesmo com serviços complementares de outros segmentos. E essa nova forma de se relacionar depende de estruturas abertas, capazes de se adaptar a novas realidades a todo momento.

Tradicionalmente os bancos sempre atuaram como produtores e distribuidores de seus produtos, com suas próprias regras e estratégias. Mas este formato está se tornando menos relevante no cenário digital atual, no qual os usuários estão mais empoderados pela tecnologia e exigem melhores produtos e serviços das instituições financeiras. Neste contexto, muitos bancos vêm mudando sua cultura e sendo inspirados a adotar um novo modelo para permanecer competitivos: o open banking.

É comum confundir o open banking e falar dele como se fosse uma tecnologia ou um produto, uma vez que não há um padrão para este novo sistema. Na verdade, ele descreve um modelo de negócios que inclui o uso de Application Programming Interfaces (APIs) para compartilhar dados financeiros entre diferentes partes. Isso inclui dados compartilhados entre provedores de serviços financeiros (bancos, seguradoras, varejistas e similares), entre provedores e seus clientes ou entre indivíduos. Não se trata de uma tecnologia ou solução específica, mas de uma nova maneira de oferecer uma maior variedade de produtos e serviços aos clientes. Desta forma, o open banking oferece uma nova oportunidade para os bancos monetizarem os produtos, serviços e dados que já possuem, além de conquistar novos clientes. 

Compartilhando dados por meio das Open APIs

Embora haja toda uma infraestrutura de apoio para prover a plataforma de open banking, o foco tecnológico está voltado para as APIs. Sua principal função é permitir que os softwares troquem dados com outros programas: um banco pode trocar dados diretamente com outro banco, mesmo quando usam diferentes softwares. As APIs do sistema de open banking trabalham para resolver este problema, estabelecendo uma conexão direta entre os provedores sem a necessidade do compartilhamento de senhas. Essas aplicações também ajudam a reforçar a segurança, permitindo ao cliente determinar exatamente quais informações são compartilhadas e com quem.

De acordo com levantamento feito pela McKinsey, as APIs relacionadas ao open banking, conhecidas como Open APIs, são novas fontes importantes de receita. A estimativa da consultoria é que até US$ 1 trilhão poderão ser movimentados por meio da redistribuição de receitas entre setores dentro dos diferentes ecossistemas integrados. A pesquisa mostrou que pelo menos 77% dos bancos já investem em iniciativas relacionadas ao open banking desde 2019. 

Plataforma open source: uma decisão estratégica

A implementação de um modelo tão moderno como o open banking sem dúvidas confere uma grande vantagem competitiva, mas demanda planejamento e estratégia. O que, por sua vez, exige a seleção de uma plataforma open source capaz de promover a inovação e a agilidade corporativa. Além da adoção de tecnologias avançadas e de permitir o acesso de terceiros a sistemas internos por meio de APIs, é necessário incluir nessa estratégia o desenvolvimento de uma comunidade e de parcerias para aumentar os benefícios do open banking.

Neste sentido, é preciso começar formando a base de uma plataforma open source para a criação e o desenvolvimento de aplicações nativas em cloud em qualquer infraestrutura de nuvem. Essa plataforma permite que as organizações se mantenham competitivas e alcancem o sucesso em um mundo de ecossistemas digitais. Estamos falando de uma estrutura que pode ser construída com produtos de código aberto disponíveis no mercado. E exemplos não faltam! Até empresas notadamente mais tradicionais, adeptas ao modelo de software proprietário, têm revisto seus conceitos para passar a oferecer soluções em código aberto que possam ajudar a impulsionar a transformação digital dos negócios financeiros.

Menos tempo, mais conveniência

Na Europa, onde o modelo do oben banking já está mais consolidado – e alterando radicalmente as regras do jogo bancário -, grandes bancos e instituições do setor já conseguiram ir bem mais longe com a implementação de uma plataforma aberta para o novo sistema. Um exemplo é o banco espanhol BBVA. Em parceria com a Red Hat, líder no fornecimento de soluções open source empresariais, a instituição desenvolveu uma plataforma digital global que promove 37,5% das vendas pelos canais digitais. 

Outro exemplo importante de avanço em open banking é o do Asiakastieto Group, provedor líder de negócios digitais inovadores e serviços de informações ao consumidor na região nórdica. Para apoiar uma mudança do setor para abrir serviços bancários, cumprir os novos requisitos de privacidade e segurança de dados pessoais da União Europeia (UE) e ajudar a resolver altos níveis de dívida nos países nórdicos, a empresa, também em parceria com a Red Hat, decidiu criar uma solução de avaliação de crédito baseada em dados. Por meio da integração do seu sistema à plataforma aberta, a Asiakastieto desenvolveu o aplicativo Account Insight. Com lançamento previsto para este ano, a app irá reduzir as dívidas e os pagamentos pessoais com uma avaliação mais precisa da capacidade de pagamento de um indivíduo.

Já na América Latina, o Banco Galicia, um dos principais da Argentina, queria continuar simplificando os serviços digitais ao migrar canais e sistemas de back-end para uma plataforma nativa em cloud unificada e em vários canais. Para oferecer suporte a essa iniciativa de experiência digital, o banco padronizou sua plataforma de varejo usando as tecnologias de integração e container da Red Hat. Com essa nova base, o banco reduziu o tempo de lançamento de serviços de meses para dias. Além disso, aprimorou a experiência do cliente, aumentou a segurança e diminuiu os custos.

Nessa jornada de transformação rumo ao open banking, o setor bancário não pode ser verdadeiramente open sem o open source. Somente o código aberto pode ajudar as empresas de serviços financeiros a criarem uma base capaz de oferecer suporte a novos serviços, mantendo os sistemas legados em funcionamento e estabelecer uma estrutura para suportar mudanças futuras. A transformação da tecnologia, processos e cultura está no coração do sistema open banking, que depende de inovação e de colaboração. 

Sobre o autor: Allan Rafael Roque é Solutions Architect da Red Hat Brasil

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