O ano de 2016 foi difícil para a economia brasileira. Entretanto, no setor de fintechs – startups que unem tecnologia a serviços financeiros -, há muito o que comemorar. Isto porque diversas delas captaram volumes significativos no Brasil. Só em 2016, a Nubank captou 188 milhões de dólares; o GuiaBolso R$ 60 milhões. A XP investimentos comprou a Rico (corretora online) por um valor não divulgado.

Com a liberação do Banco Central para abertura de contas online, Itaú, Banco do Brasil e Banco Original tornaram possível, também, a abertura de contas online aos seus clientes; com isto outros bancos devem seguir o mesmo caminho em breve. Também nesse ano a CVM abriu uma audiência pública para regulamentar o equity crowdfunding – sistema no qual diversos investidores financiem startups em troca de participação.

O Cubo do Itaú, espaço de troca de experiências de startups do setor, comemorou um ano de vida; o Inovabra do Bradesco, programa que visa alavancar fintechs, entra em sua terceira edição; o Banco Votorantim acabou de lançar o programa voltado para fintechs; o Santander lançou um hackaton específico para o setor. Além disso, outros bancos se movimentam no mesmo sentido. A ABFintechs, associação que visa ajudar a alavancar o setor, foi lançada no Brasil com mais 180 fintechs. Iniciativas como o Conexão Fintech trabalham para disseminar esta mudança de pensamento no setor financeiro e para ajudar novas startups.

Setúbal, presidente do Itaú, falou que nos últimos dois anos pensou mais em tecnologia do que em todos os outros 20. O Banco do Brasil instalou um laboratório no Vale do Silício.

Mas, mais importante do que tudo isso, é a mudança de comportamento do consumidor. A venda acumulada de smartphones nos últimos dois anos deve se aproximar da marca de 100 milhões de unidades no Brasil. O número de usuários de internet no Brasil também ultrapassou a marca de 100 milhões de usuários. No portal Konkero, o tráfego mobile passou a representar 53% das visitas, contra 8% em 2012, quando o portal foi lançado. Ou seja: mais de 6 milhões de pessoas vão se informar sobre finanças no portal da Konkero por meio dos seus celulares.

Em 2015 existiam 55 milhões de contas bancárias com internet banking e 33 milhões com mobile banking no Brasil. É provável que o número tenha atingido 60 milhões de contas com internet banking e 40 milhões com mobile banking em 2016.

De acordo com estudo da Ernest Young (EY), entre 20% e 30% dos serviços financeiros na Ásia já são prestados por “não bancos”. No mundo, as fintechs são usadas em média por 15,5% das pessoas usuárias de tecnologia. No Brasil, 11% das pessoas conectadas já recorrem a alguma fintech. E o número deve crescer rapidamente nos próximos dois anos. Os grandes bancos de varejo precisam fazer seus consumidores deixarem de ir às agências para usarem seus canais online a fim de reduzir seus custos. E isso vai ser ótimo para o setor. Acessar o banco pelo celular é ótimo, mas extremamente impessoal. Isso naturalmente aumentará a competição.

Marcas de fintechs foram construídas do zero em intervalos curtos de tempo. NuBank já ganhou diversos prêmios como case de marca – e isto com investimentos muito baixos em marketing. No portal Konkero foram recebidos mais de 14 milhões de pessoas apenas em 2016. Na área de empréstimos, Lendico, BomPraCrédito, Simplic e BankFacil – algumas startups do setor – são marcas que não existiam há cinco anos e hoje já possuem um volume considerável de buscas na internet. O Brasil terminou o ano de 2016 com 220 fintechs ativas segundo o monitoramento do Conexão Fintech.

Lógico que ainda há muito espaço para crescimento e desenvolvimento. Mas sem dúvida alguma foi um ano e tanto.  E, particularmente, minha aposta é que veremos grandes mudanças nos próximos cinco anos.


Guilherme de Almeida PradoSobre Guilherme de Almeida Prado:

Fundador do portal Konkero. Mestre e graduado em Administração de Empresas pela EAESP-FGV, foi um dos fundadores da agência de promoções e eventos Plano1. A agência foi listada em 31º e 35º lugar, respectivamente, no ranking “As 200 Pequenas e Médias Empresas que Mais crescem no Brasil”, elaborado pela consultoria Deloitte para a revista Exame PME.

 

Sobre o portal Konkero:

Com linguagem descomplicada sobre dinheiro, o portal Konkero já é considerado o maior em comparação de produtos financeiros e guia online de dicas de finanças pessoais do país. Sua missão é transformar a vida financeira de milhões de brasileiros. O portal conta nos últimos quatro anos com mais de 26 milhões de acessos sendo superiores a um milhão de visitantes únicos por mês, sobretudo de mulheres da classe C entre 25 e 44 anos, espalhadas por mais de 1.100 cidades brasileiras.

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