Por Fernanda Santos,

Quando se fala de ecossistema de empreendedorismo de sucesso, logo vem à nossa cabeça o Vale do Silício. Ele pode ser o maior polo de inovação do mundo, mas não é o único que abriga grandes unicórnios e importantes empresas de tecnologia. Além disso, pode ser que ele não seja o melhor lugar para o seu negócio.

Conversamos com Todd Barett, cônsul-comercial de Ontário no Brasil, sobre o ecossistema de startups no Canadá, as iniciativas do governo para apoiar os empreendedores e sobre as oportunidades para os empreendedores brasileiros no país.

Todd vive no Brasil há sete anos, e desde então vem acompanhando o nosso ecossistema de startups. Para ele, assim como aconteceu no Canadá, está começando no Brasil uma segunda onda de startupes em diversos setores. O que isso quer dizer? Que empreendedores já criaram suas startups, alguns falharam, outros deram certo e agora iniciaram o ciclo novamente dando início na sua segunda startup.

“Quanto mais os empreendedores lançam novas empresas, melhor o ecossistema fica. Há quatro anos poucas pessoas sabiam o que era startup e hoje em dia já existe um número muito grande de pessoas olhando para o empreendedorismo como algo possível e como opção de carreira. O ecossistema aqui está avançando muito rápido, e ainda irá amadurecer muito”, comenta.

Todd ainda conta que o Brasil é um dos mercados prioritários para a província de Ontário e muitas empresas canadenses estão de olho no mercado brasileiro, por ser o maior da América do Sul.

Iniciativa do Governo para empreendedores

Já faz um tempo que o Canadá está na lista dos países queridinhos dos brasileiros quando o assunto é intercâmbio e, de um tempo pra cá, o país começou a chamar a atenção de empresas e empreendedores devido as suas iniciativas e facilidades. Todd destaca que no Canadá uma das principais iniciativas do Governo de Ontário para fomentar o ecossistema de startups é o ONE – Ontário Networking of Entrepreneurs, que é divido em três pilares: Investimento, Infraestrutura e mão de obra.

Investimento – Já é sabido que startups precisam de investimento, por isso o Governo investe junto com investidores do setor privado. Existe um fundo de US$100 milhões, dos quais US$50 milhões são dos investidores e US$50 milhões do Governo.

Infraestrutura física – O Governo investe em centros de inovação e polos de empreendedorismo para que as startups tenham espaço para desenvolverem seus produtos. Um grande exemplo é o MaRS Discovery District, um complexo localizado em Toronto, que ocupa todo um quarteirão, oferecendo aos projetos e startups selecionadas o espaço físico, laboratórios, e o apoio técnico e consultivo para que essas novas empresas se tornem cada vez maiores e produtivas, conectando-as ao capital de risco necessário para que ganhem o mercado.

O MaRS é divido em 3 grupos: Tecnologia Verde, Saúde e Tecnologia da Informação & Comunicação. Desde 2000 já investiu cerca de U$2,3 bilhões (maior quantia de capital de risco já investido por uma instituição do tipo).

Mão de obra – O Governo tenta focar em algumas áreas estratégicas como ciência da computação, engenharia, matemática e química para formar pessoas. Além disso, existem incentivos para empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento e iniciativas do Governo para diminuir a burocracia, sempre buscando melhorar o ambiente para os empreendedores.

Áreas de destaque no Canadá

Todd conta que um segmento que tem se destacado bastante no país são as Fintechs. Segundo Todd, dentro das fintechs existem subsetores que também são muito importantes e estão crescendo bastante no país como Blockchain, moedas digitais e outras áreas  como tecnologias para regulamentação da economia.

Empresa que possuam um software que facilita um banco a não fazer coisas erradas conforme a legislação, empresas de segurança para o setor financeiro, que diminuem o risco de fraude e que também reduzem o risco de alguém roubar informações do cliente dos bancos são empresas que estão crescendo cada vez mais no país. “São áreas que sempre terão necessidade. Os bancos precisam ter segurança para seus clientes”, completa Todd.

Canadá

Ontário é a principal província canadense e corresponde a 38% do PIB do país (dados oficiais de 2016), também é a 2ª maior concentração de startups do mundo e o 2º maior polo de TI das Américas depois da Califórnia. Muitos acabam pensando que é Nova York, mas não, o Canadá tem um ecossistema muito maduro e que está sempre crescendo.

Outro ponto positivo do Canadá é o custo da mão de obra. Se você precisar contratar pessoas para cargos técnicos, como por exemplo, um desenvolvedor de software, o profissional terá as mesmas qualidades de um profissional do Vale do Silício, porém será a metade do valor. No Canadá também é muito fácil trazer mão de obra de fora como da China, por exemplo. Todd conta que inclusive, existem empresas americanas que abriram sede no Canadá justamente pela facilidade de trazer mão de obra de fora.

Competitividade do mercado e mão de obra da região

Custo de vida e gastos com saúde mais baixos do que os EUA, combinada a uma mão de obra altamente qualificada nas universidades de excelência, incentivos fiscais, subsídios para P&D e praticidade burocrática, fazem com que a região apresente custos de operação bastante competitivos:

  • Custos de operação de negócios 14,4% menor do que os EUA onde está seu concorrente, Vale do Silício, e a menor média dentre os países do G7 (dados oficiais, 2016)
  • Pesquisas realizadas em Ontário são 27,8% mais rentáveis do que nos EUA e 15,9% melhores em relação ao Reino Unido (KPMG, 2016).
  • Impostos regionais combinados aos impostos nacionais do Canadá – 26,5% (5% menor do que a média dos países do G7, 12% menor do que a média dos EUA – KPMG, 2015)

Para finalizar, Todd deixou um recado para os empreendedores que desejam internacionalizar suas operações. “Olhe além do Vale do Silício! Escolha o lugar que tem maior potencial para a sua empresa e saiba o que é mais importante para você, custo de mão de obra, acesso para outros mercados, etc. Outra coisa que eu acho muito importante é que os empreendedores precisam nascer já com o pensamento e visão global. Não precisa começar atacando outros mercados, mas é fundamental ter essa visão desde o início.”

Artigo publicado originalmente no Startupi por Fernanda Santos. Clique aqui e confira outros artigos interessantes no Startupi.

 

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